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HOMEOPATIA COMO ADJUNTO DE CUIDADOS PALIATIVOS EM CADELA DE MIASMA SIFILÍTICO | Homeopathy as an additional Palliative Care in a bitch with Syphilitic Miasm

Introdução: Os cuidados paliativos podem ser aplicados na rotina clínica em diferentes fases de uma doença, desde o momento do diagnóstico, concomitantemente aos tratamentos específicos, até a fase final de vida. Na medicina veterinária, essa área tem se desenvolvido e se difundido de forma crescente, estando cada vez mais presente na prática clínica, tanto no cuidado direto ao paciente quanto no acolhimento e suporte aos seus responsáveis. O principal objetivo dos cuidados paliativos é prevenir e aliviar o sofrimento, por meio de uma abordagem integral, que prioriza o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e de sua família ao longo de todo o curso da doença (1). Esse propósito está alinhado aos princípios de equilíbrio do organismo buscado pela medicina homeopática, por meio do uso de medicações ultra diluídas. Em animais enquadrados no miasma sífilis, observa-se baixa energia vital devido à deficiência ou falta da reação orgânica do indivíduo, com sua perturbação crônica e com tendência destrutiva, sendo frequentemente associada a pacientes em fase final de vida, que necessitam de cuidados paliativos. Em casos de miasmas sifilíticos, a escolha da homeopatia deve ser realizada com cautela para que haja o estímulo suficiente do organismo do animal sem exacerbar sua reação (2). Mercurius solubilis, um policresto com características sifilíticas, pode ser utilizado na potência cinquenta milesimal (ou LM) pensando na atenuação das agravações e promoção do bem estar do paciente lesional grave ou incurável (3). Relato de caso: Uma cadela da raça yorkshire terrier, fêmea, inteira e com 6 anos de idade, foi diagnosticada com linfangiectasia, cursando com ascite, edema de membros, apetite caprichoso, caquexia e fezes diarreicas (Figura 1.A) (4). Comportamentalmente era dócil, buscava ficar perto dos responsáveis e apresentava tremores relacionados ao frio, sendo necessário o uso de roupas para aquecimento. Ao exame clínico, a paciente apresentava-se magra, anêmica e fria ao toque (Figura 1.B). Realizou-se a repertorização dos sintomas da afecção através do uso de sintomas diretores e o uso do Repertório de Homeopatia (5), na qual Mercurius solubilis apresentou cobertura total do quadro sintomatológico (Figura 2), sendo selecionado em função do miasma apresentado pela paciente, associado à presença de halitose intensa e gânglios aumentados (3), achados compatíveis com o diagnóstico nosológico estabelecido. Iniciou-se o tratamento com Merc LM2, 3 vezes por semana. No dia de início da medicação, a paciente aceitou alimentação, apresentou-se 50% mais ativa e buscou alimento espontaneamente. Após dois dias, iniciou vocalização e ingeriu integralmente a ração ofertada, observando-se melhora progressiva do bem-estar, estimando-se 30% ao longo do mês. Em decorrência das características da doença intestinal de base, houve piora do quadro de absorção e dos sinais clínicos (Figura 1.C), e, após 90 dias do acompanhamento, a paciente apresentou intensa prostração, permanecendo em decúbito, hipotérmica e vindo à óbito no mesmo dia, sem sinais de sofrimento ou agonia. Conclusão: A medicação selecionada promoveu melhora no bem-estar da cadela, com reflexos positivos também para seus responsáveis, evidenciando a homeopatia como uma ferramenta relevante dentro do contexto dos cuidados paliativos veterinários.

Autores
Hanna Sibuya Kokubun, Rayres Soares Gracia, Raphael Vieira Ramos

Material na Íntegra: HOMEOPATIA COMO ADJUNTO DE CUIDADOS PALIATIVOS EM CADELA DE MIASMA SIFILÍTICO.docx

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