A cinomose é uma doença infectocontagiosa de distribuição mundial, que acomete diversos animais carnívoros especialmente caninos, com alta morbidade e mortalidade (1). Ela é causada pelo Morbilivirus, que é capaz de acometer diversos tecidos com rapidez e, dependendo da resposta imunológica do paciente, o vírus pode ser eliminado totalmente ou pode persistir nos tecidos, inclusive no sistema nervoso central (SNC) causando complicações neurológicas como ataxias, mioclonias e convulsões (1, 2). Atualmente não há um tratamento específico para as sequelas dessa doença, a terapêutica aplicada é o tratamento dos sinais clínicos e suporte, tendo as terapias integrativas como uma opção recomendável de tratamento (1, 3). A homeopatia é uma terapia integrativa, desenvolvida por Hahnemann, que busca o medicamento mais indicado e efetivo para cada indivíduo, através da singularidade de cada paciente, o individualizando e tratando como um todo, utilizando substâncias ultra diluídas com potencial de curar os mesmos sintomas que produzem em níveis físicos e mentais (4). Portanto, o objetivo deste relato é demonstrar o tratamento homeopático estabelecido para sequelas respiratórias decorrentes da cinomose de um paciente e o impacto na sua qualidade de vida. Animal Canino, fêmea, 4 anos, SRD, médio porte, pesando 20kg, de escore corporal 4/9, foi encaminhada para consulta homeopática em 12 de janeiro de 2026. Segundo o histórico, o resgate da rua ocorreu no final de outubro de 2025, ausência de vacinações anteriores e apresentando sintomas de cinomose logo após, sendo confirmado por teste rápido e prontamente tratado por alopatia. O animal apresentou resposta positiva ao tratamento negativando em testes PCR de cinomose posteriores, porém manifestou sequelas, sendo encaminhado para o tratamento homeopático. Ela apresentava andar cambaleante, com ataxia em membros anteriores e posteriores, realizando caminhadas curtas e sentando com frequência, a respiração era marcada pela contração diafragmática/abdominal involuntária como uma tosse constante desestabilizando constantemente a caminhada, persistindo mesmo em repouso. Cadela mantém controle dos esfíncteres, sem relatos de convulsão ou agitação noturna. Parâmetros como temperatura e PAS estáveis e exames de sangue recentes não apresentaram alterações significativas. Priorizando-se a melhora respiratória do paciente, a respiração foi repertorizada com as rúbricas “respiração acelerada”, “respiração chocalhante” e “respiração difícil” (5). Dentre as opções que mais pontuaram, Belladona foi a que apresentou maior semelhança com o caso. Essa matéria médica é muito útil em mioclonias causadas pela cinomose, com predominância em espasmos musculares mesmo durante o sono, animais desengonçados, obrigado a andar com muito cuidado por medo de vibrações, seu polo de ação é a cabeça que apresenta calor, rubor e “turbilhões no cérebro” (5,6). Foi prescrito Bell12cH, BID, 3 vezes na semana por 30 dias. O animal apresentou significativa melhora, com redução da mioclonia respiratória e melhor coordenação dos membros, conseguindo fazer caminhadas constantes pela clínica e subir escadas. avalia-se a possibilidade de aumentar a potência da medicação visando estabilização completa do quadro. Neste relato o tratamento homeopático com Bell12cH forneceu melhor qualidade de vida ao paciente, trazendo uma resposta eficiente em um curto período de tempo.
Autores
Stella Gioia Branco
Material na Íntegra: O USO DE HOMEOPATIA NO TRATAMENTO DE SEQUELAS DE CINOMOSE.docx