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ESPOROTRICOSE FELINA GRAVE TRATADA COM HOMEOPATIA | Severe feline sporotrichosis treated with homeopathy: case report

A esporotricose é uma micose zoonótica causada por fungos do gênero Sporothrix spp., sendo o Brasil o país com o maior número de casos no mundo (1–3). Gatos são particularmente suscetíveis, apresentando grande carga de leveduras nas lesões cutâneas e tecidos, o que favorece a autoinoculação e a transmissão para outros animais e seres humanos (4,5). O tratamento convencional baseia-se em antifúngicos sistêmicos, principalmente itraconazol, isolado ou associado ao iodeto de potássio, porém com potencial de efeitos adversos como distúrbios gastrointestinais e hepatotoxicidade (4). A homeopatia surge como alternativa terapêutica que busca estimular a resposta vital sem sobrecarregar o organismo (6). Este trabalho relata o caso de um gato macho, sem raça definida, resgatado em 27/03/2025 em Santa Bárbara d’Oeste/SP, em estado grave, com diagnóstico clínico de esporotricose realizado por dois médicos-veterinários, sendo que o primeiro atendimento, em clínica particular, resultou em indicação de eutanásia. O paciente apresentava sinais compatíveis com forma cutânea e extracutânea da doença descrita na literatura (Figura 1): caquexia, fraqueza, apatia, anemia, lesões ulceradas, crostosas e exsudativas, além de secreção nasal e espirros, sugerindo possível comprometimento respiratório. Após repertorização baseada em sintomas físicos e histórico de abandono, instituiu-se, em 02/04/2025, protocolo homeopático composto por isoterápico de Sporothrix30cH (estimular memória imunológica antifúngica), Arsenicum album30cH (feridas sépticas, vitalidade e apoio respiratório), Mezereum30cH (lesões exsudativas e dolorosas com crostas), Echinacea angustifolia6cH (suporte imunológico) e dose única de Arnica montana200cH (possíveis traumas físicos e emocionais). Associaram-se medidas complementares como uso de colar elizabetano, suporte nutricional hipercalórico e higienização local com antissépticos suaves (calêndula ou clorexidina). Após cinco dias de tratamento já se observou melhora do comportamento e do apetite, e em aproximadamente um mês houve regressão significativa das lesões cutâneas, redução da secreção nasal, ganho de peso e restauração da condição geral (Figura 2), permitindo redução gradual da frequência de alguns medicamentos, mantendo-se o isoterápico para consolidação da resposta. Posteriormente, o tratamento homeopático foi interrompido pela responsável, o que coincidiu com recidiva das lesões e busca por atendimento em hospital veterinário público, onde foi instituída a terapia antifúngica convencional com itraconazol, com alta em fevereiro de 2026. Apesar da interrupção precoce, o caso demonstra que a abordagem homeopática e isoterápica, integrada a cuidados clínicos de suporte, pode promover rápida melhora clínica em esporotricose felina grave, oferecendo alternativa terapêutica ética em contextos de vulnerabilidade social e de risco zoonótico. Este relato contribui para a discussão sobre o papel das altas diluições no manejo de doenças infecciosas de relevância para a Saúde Única, ressaltando a necessidade de estudos adicionais sistematizados.

Autores
Rejane Cristina Lucco

Material na Íntegra: ESPOROTRICOSE FELINA GRAVE TRATADA COM HOMEOPATIA.docx

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