A calopsita (Nymphicus hollandicus) é um pequeno psitacídeo comumente escolhido como animal de companhia pela sua característica de ser bem sociável. Em vida livre alimenta-se de grãos e frutas, podendo ser ofertados em cativeiro além de ração (1), porém é comum que ocorram erros de manejo nesse aspecto e relacionados ao ambiente, refletindo em diversos distúrbios nutricionais sendo uma delas a hipocalcemia o que resulta em problemas reprodutivo como a distocia. Isso ocorre porque a demanda no consumo de cálcio aumenta nesse período e as afecções apresentadas como resultado deste distúrbio estão relacionadas ao baixo desenvolvimento reprodutivo e alteração na calcificação dos ovos, usualmente por distúrbios nutricionais (2). A literatura indica dois tipos de tratamento, sendo: o conservativo – suplementação de cálcio, vitamina D, ocitocina e fluidoterapia; ou invasivo – realização de ovocentese ou remoção cirúrgica (3,4). A homeopatia é uma medicina que busca o equilíbrio do organismo através de estímulos energéticos das medicações (5). A Pulsatilla nigricans (Puls) é oriunda da ultradiluição de uma planta européia cujas características de sintomas compactuam com alterações de trato reprodutor feminino, como ciclos irregulares, dores no parto e mau posicionamento da prole, sendo um bom remédio episódico no caso de distocias (6). Relato: Uma calopsita de aproximadamente dois anos de idade deu entrada para atendimento particular tendo como queixa principal prostração, hiporexia e posição encurvada (Figura 1.A.). Na anamnes obteve-se que a ave já apresentara histórico de postura, vivia com outras calopsitas dentro de gaiola e apresentava dieta com pouca qualidade nutricional (mix de sementes). Durante o exame físico realizou-se a palpação da cavidade celomática detectando-se a presença de abaulamento da cavidade celomática sugerindo presença de ovo. De tratamento inicial realizou-se reposição de gluconato de cálcio 50 mg/kg com e fluidoterapia 15 ml/kg; optou-se por iniciar Puls 6cH via oral diluído em água e oferecido a cada 15 minutos na primeira hora, 30 min na segunda hora e posteriormente de hora em hora. Na realização do exame radiográfico da cavidade celomática detectou-se a presença de um ovo com baixa calcificação, definido pela presença de linha pouco radioluscente em cavidade (Figura 2). A calopsita foi mantida em internação para recebimento medicamentoso da Puls e terapia suporte. Após 7 horas da medicação, a ave apresentou-se ereta e alerta, se interessando por alimento (Figura 1.B.). Com a evolução do quadro e das medicações, 21 horas após o início da medicação, a ave apresentava-se alerta, ativa, responsiva e realizou a oviposição (Figura 1.C e 1.D). Discussão: A Puls mostrou-se um bom medicamento episódico para o caso apresentado, evitando a necessidade de administração exócrina de hormônios para contratilidade e expulsão do ovo retido e necessidade de procedimento anestésico para procedimentos mais invasivos. A maioria dos casos de retenção pode ocorrer prolapso de oviduto e trazer complicações na recuperação da ave quando é necessária intervenção cirúrgica. Conclusão: O caso demonstra que a homeopatia trouxe o equilíbrio necessário para a oviposição de maneira mais orgânica, promovendo o bem-estar do animal, devendo ser uma ferramenta para tratamento de pets exóticos.
Autores
Rayres Soares Gracia, Hanna Sibuya Kokubun
Material na Íntegra: PULSATILLA NIGRICANS Um auxílio em retenção de ovo em calopsita.docx